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domingo, 2 de maio de 2010

Cemitério

O fracasso a que você me condenou
eu o vivo a cada dia.
Do alho do meu sangue
é sugada a maisvalia.
Aquela batida de porta na sua cara
você me devolveu

instalando o inferno nas minhas vísceras
e a náusea eu a sinto até o último grau.
Vou descendo ao fundo do poço
de degrau em degrau.
A desgraça é o cotidiano mingau
que sorvo
e a água é turva
e a migalha exausta.
Eu tenho areia nos olhos
e meus poros
estão entupidos de argila
e a cratera é viscosa
mas ninguém vem visitá-la.
Só porque você não sorveu de mim
naquela vida antiga
em que eu tinha sonhos.
Mas estou acordada
em pleno pesadelo pegajoso
e mofado
como convém
aos antiquários.
Ninguém
vem
visitar
esse
cemitério.
Os cadáveres já estão roídos
e só restam
ossos
nessa
terra
árida.

E não há flores sobre o túmulo.

Ninguém as depositou.

Um comentário:

J.M. de Castro disse...

O seu poema tem a forma de uma lágrima...