NOS BECOS DA WEB...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pessoas,

       eu quis, pediram que não, eu resisti. Mas acontece que o Universo Visceral já deu até a última gota de sangue.

       Quem quiser conhecer meu novo trabalho, fique à vontade:



                       

segunda-feira, 16 de abril de 2012

É primavera e tudo cheira a morangos silvestres, que têm mil olhinhos cítricos na essência de sua infrutescência e comem humanos com açúcar. O açúcar fica manchado de vermelho e é crocante e suja as veias arteriais formando crostas em suas paredes que atrapalham a circulação do sangue. O açúcar nos come com a insaciabilidade dos cristais cheios de sumo calcário. O açúcar é aéreo mas fixa no caule das plantas as cinzas remanescentes das fogueiras promíscuas e arejadas pelo isopor mais nobre que a galáxia litorânea situada na Faixa de Gaza, embora chocolates intrusos povoem nosso estômago derretendo-se marrons e salpiquem de tesouros as esmeraldas farfalhantes.
A fria indiferença do açúcar produz seres humanos alérgicos ao mais alto grau de isopor.

domingo, 1 de abril de 2012

Só isso

Estava tudo bem, mas a linha recrudesceu e tudo degringolou. Tudo é quando as faíscas não se contêm em si e saem pipoqueando pelos quatro ventos. A rosa é multifacetada mas suas pétalas se retorcem todas ao menor contato com o ar, que é um artefato tecnológico portátil que se desdobra em microátomos e poreja a insaciabilidade atmosférica ao menor contato com a superfície gelatinosa das manhãs saturadas de cálices do mais fino cristal que tilinta feito uma rosa, mas os espinhos pontiagudos ferem aquela lâmina borrachenta das bexigas de soprar, e aí é aquele estouro estrondoso do vácuo incontido e mudo, e o muro descasca sua tinta rezando para não rachar, mas o tubérculo brota contra todas as expectativas, desdizendo estatísticas minuciosas tecidas nos laboratórios secretos que fabricam nuvens.

Era uma vez uma besta quadrada que se arredondava nas pontas, mas esfericamente tecia-se em semicírculos improváveis de tanto teor, vaporizando-se concretamente ao encaracolar os cadarços em espirais que vão descendo milimetricamente até o cerne de magma com malte, mas a seiva só se dá quando o cosmo se retrai introspectivamente até se condensar todo numa bolha improvável de tanto suco, e aí vai espirrando aqueles ventos infrutíferos cheios de paisagens encarceradas como miolos fervidos no ventre da terra aguada e barrenta dos minerais idosos de tantos sais incrustados e vai saciando as folhas milimétricas com esponjas embutidas.

sábado, 31 de março de 2012

estava de estômago vazio e tomei uma coca-cola cloaca. tomara que a bosta-cola corroa a bosta desse estômago logo! também estou fumando um cigarro atrás do outro! quero mais é sair da bosta desse inferno desse mundo idiota logo, nem que seja com um câncer de pulmão, com um câncer seja lá onde for a puta que pariu do órgão onde essa porra vai dar, mas que seja breve, por favor.

Venha, câncer, venha. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Otimismo infundado

Dia 21 de janeiro o blogue Mingau de aço publicou um texto de Washington Araújo chamado A mídia e o complexo de Carolina. Dentre outras coisas, é dito no texto: "A verdade é que não temos nenhum brasileiro se imolando na Cinelândia carioca nem na Praça da Sé paulistana, muito menos na mineira Afonso Pena ou nas imediações do Pelourinho baiano. E não temos por vários motivos. Dentre estes podemos citar o fato de que desde 2004 o premonitório slogan “Orgulho de ser brasileiro” deixou de ser mero reclame institucional do governo federal para ser sentimento vivo, pulsação corrente no corpo do país. A Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, as descobertas de vastas extensões de lençóis petrolíferos na camada do pré-sal, o Brasil já ser “a terceira maior economia europeia”, atrás apenas da Alemanha e da França." e mais:  "Por que ocupar a Bolsa de São Paulo ou o Banco Central em Brasília se nossa economia, ao invés de gerar desemprego em massa, inflação apontando no horizonte e estagnação e colapso financeiro iminentes, encontra-se – nas palavras de nossos filhos – “bombando” e com viés de alta?".


Pois bem, nossa economia está "bombando" - ou, para usar dialeto capixaba, "pocando" - para quem? Para os grandes empresários e políticos, não é mesmo? Os brasileiros continuam se imolando, sim, em seus respectivos trabalhos, pois o mercado de trabalho continua cruel, principalmente para as mulheres - e é mera coincidência que amanhã seja dia 8 de março, pois nossa luta não é a luta de um dia ou de um mês, mas de todos os dias de todos os anos - num ambiente ainda excessivamente patriarcal.


Agora - e posso dizer pois sou testemunha ocular de tal fato - uma funcionária que lida com o público e é agredida verbalmente no ambiente de trabalho não tem ao menos o direito de chorar. Temos que ser "fortes", vestir uma armadura no ambiente de trabalho e jamais demonstrarmos que somos seres humanos. Afinal, não somos mesmo, somos máquinas, não é?


Pobres homens, que são educados para não chorar! Mas as mulheres não se submetem a se impor o mesmo tipo de crueldade a si mesmas. Pobres homens, que não compreendem a grandeza das mulheres de terem a capacidade de se recomporem derramando lágrimas - e ainda são vistas como "fracas" por causa disso!


Esse - a desumanização a que somos submetidos no ambiente de trabalho, tendo que nos sentir "a empresa" quando o público nos dirige uma ofensa - é apenas um dos aspectos cruéis do mercado de trabalho.


O texto de Washington Araújo é totalmente infundado, não temos motivos para achar que estamos no "país das maravilhas".


Não acho - não vou tão longe! - que o Mingau de aço (ao publicar um texto como o de Washington Araújo) na verdade esteja do lado de quem demonstra atacar - prefiro não acreditar nisso! Prefiro acreditar que nosso raciocínio às vezes nos conduz a armadilhas inerentes ao próprio raciocínio, mesmo o raciocínio daqueles que acham que estão sendo "libertários".


Mas, olha lá, gente, vamos ver o que realmente estamos defendendo! Vamos definir nossas posições.



sexta-feira, 2 de março de 2012

A vingança macabaica

Vamos embaralhar as cartas
Porque já não há mais nada
que eu possa fazer
E nessa cilada
de cinco lados
eu jogo os dados
usando os dedos:
o segredo é não ter medo
porque o amanhã
é produzido pela própria força
de evitar a forca.

Mas do gelo nascem focas
que fazem pose pras  fotos:
eu já não preciso de vocês
e do labirinto que vocês teceram com mil fios
para me emaranhar.

Então fica assim:
eu construo o meu amanhã.
Eu sou dona do meu mundo
E vocês continuam fingindo pra vocês mesmos
que são donos de todos os fundos.

Continuem enganando quem
ainda não achou a saída desse labirinto sórdido.
Porque eu conheci a Ariadne
a imprevisível Ariadne redentora
e mais vale o pássaro voar
que ser abocanhado pela mão.

Eu construo o meu próprio caminho
não vendo minha força para fins vis:
o olho, ao secretar a remela,
constrói sua própria janela
e quando não há portas
saímos pela janela mesmo
porque não haveria janelas
se não houvesse paredes
e o peixe esperto
não se deixa captar pela rede.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tá bom, eu nem estou sendo perseguida por causa de tudo o que já falei na internet - e disse tão pouco! -, dando a minha cara pra bater: é mera suposição de uma conspiratória.
Pois eu me rendo: o capitalismo é a coisa mais fofa que eu já vi, eu que sou uma pessoa suja e ordinária, uma "rebelde sem causa", se é que existe algo sem causa nesse mundo...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

...

Sobreviver dentro da luta possível.
Meu esforço agora já não é embrulhar a vida em papel laminado, quero a vida desembrulhada, por mais que isso me embrulhe o estômago.

Cuidado ao desembrulhar os presentes pois dentro da caixa pode haver uma surpresa desagradável.

Eu sonhei com uma caixa embrulhada com um papel azul cheio de estrelas brancas, mas agora eu quero a caixa vazia, o avesso da caixa, o oco da caixa, pois o conteúdo oco é o oconteúdo supremo das vísceras lisas de tão calmas, as vísceras não mais vão e voltam nem ziguezagueam, estão em linha reta e abrigam o mais vasto dos universos pontiagudos, o cocôsmo que desliza dentro desses canudos possíveis...

A via láctea não é mais a única via, pois pode haver a via áqua, a via veia, a via vida, a vida verso, a vida vã.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pirraça

Tem acontecido uma coisa engraçada. Já faz algum tempo em que tenho tido certa facilidade de interpretar meus sonhos. Então, meu inconsciente, que é autônomo como todo inconsciente, parece que resolveu se defender dessa minha facilidade para interpretá-lo ultracomplicando meus sonhos, produzindo coisas cada vez mais estranhas, as quais eu nem ousaria chamar surreais, pois parecem extrapolar o próprio surrealismo, embora eu saiba que o arrealismo não seja possível, já que não se pode desprender totalmente do real. Afinal, nem o niilismo é arreal, mas meus sonhos não são niilistas, acho que são mera defesa infantil de um inconsciente pirracento que não aceita perder no pique-esconde, que está totalmente indefeso já que eu achei a chave dessa brincadeirinha estúpida de detetive.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Conspiração

eu sou uma andorinha que precisa de muleta para voar.
ou uma muleta que precisa de andorinha para apoiar?
ou uma pedra pra você atirar no peito do peido.
ou uma geleia amorfa de abacaxi cheio de dentes
com obturações ácidas de tanto açúcar - necrotério dos bois!
Boicotem o açúcar pois quem come açúcar boicota o boi.
E quem come pernil porcocota o porco.
O parco porco que tem inveja dos elefantes com sua pele enrugada.
Os elefantes são sábios com suas grandes orelhas.
Um ruminante antigo que giraflora o planeta.
E nunca se acaba na minha panela!
A panela preta do planeta penetra nas carnes dos elefantes rugosos
e a pipoca explode feito uma pele pocando: o torresmo é uma pele pocada
no óleo gordurento das panelas pretas - mutretas!

Parem com a conspiração contra os animais!
E me digam se não seremos muito mais!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Aconteceu no Triângulo das Bermudas

Dia 14 de novembro, no bar Abertura, situado num complexo de bares e restaurantes conhecido como Triângulo das Bermudas (em Vitória - ES), um segurança do mesmo bar empurrou violentamente um vendedor de amendoim que simplesmente estava fazendo seu trabalho. O vendedor ralou o braço e seu amendoim ficou todo esparramado no chão, sem falar na humilhação que sofreu. Logo um sujeito "bombado" apareceu "entrando numa" com o segurança, que caiu fora. Algumas pessoas deram dinheiro ao vendedor ambulante e outras também o apoiaram de outras formas. Mas, se eu fosse esse vendedor de amendoim (aliás, adoro amendoim e ele cai super bem com uma cerveja!), eu processava o bar Abertura. O gerente disse ao meu primo que iria demitir esse segurança truculento, mas, independente de ter demitido ou não, mesmo assim o vendedor deveria processar o bar.

Até quando os trabalhadores vão ficar sendo humilhados desse jeito?

domingo, 27 de novembro de 2011

Narciso

Cansei de falar.
Porque a folha arde e se queima,
e assim mesmo os olhos a evitam
enquanto só fitam
as sombras na parede
das cavernas de suas próprias retinas.

Que espelho é esse
que só reflete o si-mesmo
mesmo que haja
uma multidão à frente, ao redor, dentre os poros abertos
da pele do rosto,
cujo reflexo,
embaçado, distorcido,
boia no lago
e devolve ao gago mendigo
um rei eloquente?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Moralismo nojento

No site do Yahoo! (que não está me pagando nada pra que eu o divulgue, e aliás geralmente só publica banalidades) está disponível hoje o vídeo-entrevista "2 Chopes com Simone Spoladore", e abaixo do vídeo há uma nota que fala de sua personagem lésbica que se apaixona por um travesti, personagem de um filme que não tem nada a ver com a novela que ela faz ou fará (porque não perco meu tempo vendo novelas pra poder saber) na Record, mas as pessoas nem vêem o vídeo e saem confundindo o filme com a novela, e saem publicando comentários ultraconservaores como "do ponto de vista da moral isto é contra a dignidade humana.........................................", comentários que não são retirados do site, mas o meu comentário "grande Simone! agora que ela saiu da Globo sou ainda mais fã dela! Excelente sua atuação no filme Lavoura arcaica! E o que fere a dignidade humana é o preconceito moralista e predatório!" está sendo retirado o tempo todo! Imagino o que o site do Yahoo! não deve estar recebendo de comentários não publicados acerca do meu comentário pra retirá-lo o tempo todo, já que estão sendo publicados comentários com "fervor cristão" reclamando do bispo (que também é cristão, mas de facção diferente da do comentarista) que empregou atriz que "se submeteu a tal papel", ainda que este papel - imagino - aparentemente não tenha nada a ver com o papel da novela que ela faz na Record.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Despedida

Minha cachorra já tinha operado umas quatro vezes, a primeira vez para retirar um tumor benigno que poderia vir a crescer muito e atrapalhá-la, uma das vezes para retirar o útero e ovários, na última vez para retirar um dos cordões mamários (dessa vez era câncer mesmo). Já tinham aparecido novos caroços nela depois da última operação, e depois dessa mesma última operação, ela voltou com uma respiração ofegante (minha ex-professora de Tai-Chi Chuan - "chi" é respiração - já tinha dito numa de suas aulas que os bebês e animais normalmente respiram pelo abdômen, e não pelo tórax, pois a respiração pelo abdômen é a respiração natural e assim sempre deveríamos respirar), notei que ela estava respirando pelo tórax logo depois que ela voltou da cirurgia, e ela há muito tempo já tinha sopro no coração, e seu coraçãozinho deve ter sido muito afetado por esta derradeira cirurgia, pois um exame detectou que a situação estava bem grave. Quando ela estava boa, passeava todos os dias na rua umas três vezes por dia, nos últimos tempos nem saía de casa mais para passear, mesmo dentro de casa ela mal andava, estava toda molinha.

Um dia, todos nós sofrendo junto com ela por toda essa situação, ela estava quietinha deitada no seu canto e eu sentada lendo de onde podia observá-la de perto, de repente ela olhou pra mim e deu uma gemidinha prolongada. Eu não fazia ideia do que ela estava sentindo, chamei-a para dar uma pequena volta pela casa, então a minha mãe a pegou no colo e disse que ela não podia fazer nenhum esforço por causa do coração, nem mesmo uma pequeniníssima volta que achei que fosse distraí-la. Minha mãe se sentou no puffe da sala com ela no colo, o corpinho dela estendido apoiado em suas pernas. E eu me sentei numa cadeira e a Frida, minha cachorra, ficou um tempão com os olhos pousados em mim, enquanto minha mãe conversava comigo. Um pouco depois disso, nesse mesmo dia, minha mãe a achou estendida no chão, desfalecida, perto dos jornais sobre os quais ela fazia suas necessidades. 

Vai ficar pra sempre na minha memória esse olhar derradeiro que ela pousou em mim, olhar doce e meigo, com a expressão mais linda que ela poderia me presentear em seu último dia conosco. Olhar demorado, olhar iluminado, como se - já diz a sabedoria popular - ela fosse um anjo prestes a retornar ao céu, e essa fosse sua forma de me passar uma mensagem. Mensagem linda, por sinal, que, como já disse, nunca vou esquecer. Obrigada, Frida, por ter se despedido de mim de maneira tão doce.

(Minha carroça, digo, meu PC está tão lerdo que não consigo fazer upload de uma foto dela pra vocês terem uma ideia da meiguice desse olhar de que tanto falei e que tanto me tocou).


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pós-túmulo

Quando nasci, um anjo canhoto
rabiscou todo o meu poema,
amassou a folha e a jogou no lixo
e disse:

vá viver seu rascunho
e não ouse passar a limpo!

Mais tarde, engatinhei até a lixeira
e de lá tirei o novelo pautado.
Desembolei a folha
e nela estava escrito
em letras garrafais
e linhas tortas:
"Libertas quae sera tamen"
ou seja:
Liberdade, ainda que no além.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O papel e seus pilotos

Eu queria sair escrevendo qualquer coisa, pelo simples prazer de riscar o papel... Para as futuras gerações, explico: "papel" é uma lâmina feita de celulose e água, por isso é duplamente anti-ecológico (por isso que entrou em extinção e vocês não sabem mais o que é. Como na minha época algumas pessoas não sabem o que é papiru e / ou pergaminho. Ao contrário do que você poderia imaginar, "papiru" não é um nome pornográfico. É o ancestral do papel, que é o ancestral da tela de cristal líquido. Apesar de líquido, o cristal líquido não é feito de água, por isso não é tão anti-ecológico quanto o papel e por isso o substituiu). Como com tudo na vida, as pessoas desviavam a verdadeira função do papel e faziam aviões de brinquedo com eles, que ficavam dançando no ar mais ou menos como essas folhas que caem das árvores e ficam indecisas em irem direto pro chão. Alguns aviões de papel faziam malabarismos e cambalhotas no ar, deviam ter pilotos aventureiros e viciados em adrenalina. Quanto mais aventureiro o piloto, maior o sucesso do avião de papel em atrapalhar a aula das professoras. Ah, você também não sabe o que é professora? É que antigamente não havia internet, então eram as próprias pessoas quem transmitiam o conhecimento umas às outras, e essas pessoas que trasmitiam o conhecimento eram chamadas de "professoras". Todo mundo era um pouco professor, como ainda é até hoje (hoje quando?).

Voltando ao papel, ele era um instrumento que não tinha um teclado imbutido, como os computadores têm. Então as pessoas usavam primeiro uma pena de ave molhada no nanquim, que é uma tinta que as lulas soltam, e depois passaram a usar canetas esferográficas, que tinham esse nome pois tinham uma pequeniníssima esfera em sua ponta que ia rodando no papel e soltando a tinta aos poucos.

Outro dia conto mais sobre a pré-história pra você, meu filho. Por hoje é só, pois você já está embalado nesse sono e nem me ouvindo está mais. Boa noite. Durma com os anjos, que são seres alados que têm bochechas rosas e sopram sonhos nos nossos ouvidos, aí eles (os sonhos) rodam na nossa mente feito filme em 3D.

sábado, 8 de outubro de 2011

Só por consideração aos meus escassos leitores digo que já não tenho voz pra cantar, por isso pretendo dar um tempo com este blogue. Digo "pretendo" porque já tentei interromper esta atividade outras vezes, sem sucesso, pois minha ânsia de escrever e minha ânsia de postar me impediram que eu realizasse meu intento. Talvez vocês agora possam saborear um feijão sem ter que mastigar a pedra, digo, talvez minha ausência seja bem-vinda. Não sei quando volto, talvez amanhã, talvez daqui a dois anos, talvez nunca. Por isso agradeço a quem compartilhou comigo este espaço.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Show de Bola

Sabe, acho que há uma certa luta de classes ofuscada no futebol carioca. O torcedor negro, pobre, morador da favela (pois há um preconceito classista contra os flamenguistas, sim, chamados de "favelados" e "trombadinhas") que reúne todas as suas forças para apoiar um time de forte apoio popular como o Flamengo, cujos jogadores sempre dão duro no campo, ainda mais quando se trata de uma partida contra seu principal adversário, o Vasco, que por sua vez representa os portugueses descendentes dos antigos senhores de engenho, que escravizaram os negros que hoje são torcedores do Flamengo. Desculpem-me se alguém já falou isso antes, não procurei ler nada a respeito e ignoro anterior análise sobre o assunto. Continuando, é até conveniente para as elites que o Flamengo ganhe sempre (como os flamenguistas não se cansam de dizer), pois, assim, a luta de classes se resolve no campo e não toma proporções "indevidas". Os torcedores, representando suas respectivas classes (um torcedor de classe média que opta pelo Flamengo toma o partido do "povão"), ao direcionarem todas as suas energias para o futebol, apaziguam a luta de classes nos demais campos sociais.

Claro que não é tudo "preto no branco", e pode haver um torcedor flamenguista e elitista, pois dissocia o futebol de sua dimensão social.

Indo um pouco mais fundo, a insurreição flamenguista contra o vascaíno português (pleonasmo), pode ser vista como uma legítima revolta da população brasileira, já constituída com o acréscimo do elemento africano, contra as elites europeias (neo)colonizadoras, representadas por Vasco da Gama.

O mesmo se dá na rivalidade futebolística entre Rio e São Paulo. O carioca, visto como "farofeiro", ou seja, do povo, contra a elite industrializada de São Paulo.

Talvez seja por isso que o futebol seja tão importante economicamente. Ao direcionar toda a energia da população mundial para as disputas nos gramados, os grandes empresários do esporte "põem panos quentes" na luta de classes, amortecendo os conflitos (que ficam reduzidos a meras guerras - demasiadamente infantis - entre torcidas) e aquecendo a economia global com o constante espetáculo do futebol.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Conversa pra boi dormir

A Globo quer mesmo que acreditemos que a economia dos EUA mudou nos últimos dez anos por causa do atentado de 11 de setembro de 2001? Foi isso que a Míriam Leitão deu a entender hoje de manhã... Tudo isso pra não falar mal do capitalismo? Pra não falar que ele é autofágico e ele mesmo é a causa de seu próprio fracasso, com suas crises de superprodução? A economia dos EUA já vinham declinando há muito tempo, muito antes desse atentado... Também, com toda a miséria que é necessária haver para existir o capitalismo, quem vai consumir tudo o que eles produzem? Não era necessário ser nenhum gênio para perceber que a economia do mundo já vinha declinando no ano 2000... nesse ano minha tia comprou um carro, e nem pagou tanto assim, e ela perguntou: "Que dia eu posso vir buscar?", e eles responderam: "Não, a gente entrega na sua casa...". Tanto esforço em agradar o cliente, ainda mais o cliente tendo pagado um preço abaixo do valor "real" (ou o carro que estava supervalorizado, para gerar lucros hediondos?), só pode ser suspeito...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Blogagem coletiva: a ficção e o que podemos fazer para essa ficção não continuar sendo uma tragédia

A noção de nação é uma ficção. Pessoas que acreditam ter o suficiente de características em comum para constituir uma nação sustentam essa ficção. É só formar um exército para defender as fronteiras delimitadas por linhas geográficas imaginárias, fazer uma lavagem cerebral para que as pessoas acreditem mesmo ter as tais características em comum suficientes e... temos uma nação!

Mas, já dizia Goebbels, uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade. E como pessoas demais acreditam nessa ficção, temos que respeitar essa crença se quisermos ver efetuadas as nossas garantias que teríamos naturalmente se ainda fôssemos, por exemplo, uma sociedade de subsistência, como éramos antes dos europeus aqui chegarem e imporem seu modo de vida.

Estou querendo dizer que devo ser mais prática. Vamos supor, por exemplo, que sejamos cerca de 190 milhões de brasileiros regidos por uma República Federativa, que se diz democrática (e não o é), representada no momento pela presidenta Dilma Rousseff. Então, já que estamos todos alucinados e acreditamos nessa ficção, temos que ver nossos direitos básicos garantidos, de acordo com o que diz, por exemplo, nossa Constituição.

Estou escrevendo este texto como resposta à proposta da blogueira Van, do Retalhos do que sou. Então vou focar exclusivamente numa questão específica para que vejamos garantidos nossos direitos básicos, como cidadãos brasileiros: a questão da regulação dos meios de comunicação.

Porque, enquanto não tivermos essa tal regulação, seremos governados pela grande mídia e não por quem elegemos de fato para nos representar, e, enquanto não tivermos essa tal regulação, só veremos nossos representantes de fato como a grande mídia quiser que os vejamos, pelos ângulos que eles querem que vejamos.

Então é isso. Acho que esse talvez seja o início de algo que poderemos chamar verdadeiramente de democracia, ainda que a democracia fictícia de uma nação fictícia - como todas as nações - e, talvez, se agirmos localmente, dentro dos limites imaginários de nossa nação, talvez um dia possamos agir globalmente.

Só quando nos livrarmos dessa ditadura - a ditadura exercida pelos meios de comunicação (obviamente que não estou falando de um meio de comunicação como este blogue, praticamente irrelevante em termos de números de leitores. Estou falando de uma mídia mais abrangente, a chamada "grande mídia") - poderemos começar a sonhar em ver nossos direitos básicos garantidos.